Entrevista: prefeito Leandro Barroso rebate denúncias da oposição, fala de projetos e diz que entrou na política por vaidade
| Barroso: Emater usada com fins políticos (Fotos: Betto Ferreira) |
Na tarde do último
dia do ano de 2013, 31/12, o prefeito Leandro Barroo (PSDB) recebeu, em sua
casa, o Paulistas em Foco. Durante quase uma hora de entrevista, o prefeito, sob
o qual existem vários processos de improbidade administrativa e ilícitos
eleitorais, rebateu denúncias e acusações, fez outras, falou sobre projetos em
andamentos e aproveitou para cutucar os adversários políticos. Veja a seguir o
que disse o prefeito a respeito dos seguintes assuntos abordados na entrevista.
Fim do convênio com a Emater
Alegando
prejuízos na relação custo-benefício, Barroso confirmou o fim do convênio com a
Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) do Governo de Minas,
que dava assistência a agropecuaristas e a agricultores do município. Ele
também fez críticas à empresa ao afirmar que esta estava servindo apenas a
agricultores ligados à oposição. “Inclusive, devido a isso e aos custos, muitos
prefeitos estão cancelando o convênio”, declarou. Barroso disse, entretanto,
que os produtores rurais não vão ficar sem o serviço. Ele anunciou, para o
início deste mês, um novo contrato com uma empresa, da qual não lembrou o nome,
pertencente a Nilson Fidelis, ex-funcionário da Emater e atual vereador em São
João Evangelista pelo Partido da República (PR). Questionado se esse novo contrato
não poderia também render desconfianças quanto a sua legitimidade, ele disse
estar fazendo justiça social. “A Emater não atendia aqueles que mais
precisavam”, acusou. Segundo o prefeito, o novo contrato vai atender a todos os
produtores rurais, ao custo de pouco mais de R$ 3 mil por mês, diferentemente
dos R$ 9.800 gastos com a estatal. E pediu um tempo para que os resultados
positivos do novo contrato comecem a aparecer: “Um ano”, disse.
Minha Casa Minha Vida
As respostas
às denúncias de favorecimento de parentes ao programa federal Minha Casa Minha
Vida, em detrimentos dos mais carentes, foram dadas pela esposa do prefeito,
Márcia Soares, que também participou da entrevista. Márcia era a Secretária de
Assistência Social e responsável pelo cadastro do programa à época. Segundo
Márcia, que atualmente responde pela pasta da Cultura, tudo foi feito com
transparência. “Criamos inclusive um conselho para fiscalizar o cadastro”,
disse. Ela confirmou a inclusão de um parente distante do prefeito, mas disse
tratar-se de uma pessoa deficiente, beneficiada pelo primeiro critério do
programa. Segundo ela, os outros critérios são “área de risco”, “mãe solteira”,
“baixa renda” e outros. Quanto às pessoas mais carentes que ficaram de fora, a
primeira dama disse que o programa é dirigido a pessoas com baixa-renda (um
salário mínimo) e não a quem não tem renda. “Muitos famílias ficaram de fora porque
não conseguimos provar a renda delas. Elas não têm holerites nem recibos, e foram
prejudicadas por isso, não podíamos inventar uma renda”, disse.
Mais
unidades: Além do conjunto de casas já em andamento (o Nilo Pinto de Carvalho),
com 40 unidades, Barroso anunciou a construção de mais 60 unidades do programa
federal. Segundo ele, só falta a prefeitura concretizar a aquisição do terreno.
“Estamos bem perto disso”, disse.
Fraude em licitações e
transparência
Barroso
disse que não respondeu as denúncias de fraudes em licitações envolvendo as
pontes, feitas pelo jornal Estado de Minas em junho, com base nas informações
da oposição, porque, segundo ele, todas as licitações foram feitas com base na
Lei. “Mexer com imprensa grande não vale a pena”, comentou. Com relação à
inclusão da ponte do Córrego dos Valérios, na divisa com Materlândia, ele disse
ter havido “erro nos estudos das coordenadas da geografia da região” por parte
dos técnicos, mas que o “equívoco” fora desfeito logo em seguida. Segundo as denúncias
a ponte já havia sido construída por meio de mutirão popular, mas fora inclusa
nas licitações da prefeitura.
O prefeito informou
ainda que, para atender às exigências da Lei da Transparência, ele assinou
contrato com uma empresa chamada DPM, de Belo Horizonte, para dar assessoria à
prefeitura nesse sentido.
Kits do PAC 2
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| Críticas ao adversários políticos |
Durante a
entrevista, o prefeito também se referiu ao kit de máquinas e equipamentos do
PAC 2 para os municípios. Ele rebateu as informações do PT local de que
Paulistas fora contemplado pelo programa federal por causa do apoio do deputado
Leonardo Monteiro (PT-MG). “Nós devemos isso ao deputado Gustavo Valadares
(PMDB), que é meu amigo”, disse, ao lembrar que o deputado também indicou R$
350 mil para pavimentação do conjunto residencial Nilo Pinto de Carvalho (Minha
Casa Minha Vida). O prefeito informou ainda que o kit inclui, além da retroescavadeira
(já entregue), uma motoniveladora e um caminhão caçamba trucado. Segundo Barroso,
as duas máquinas ainda não haviam sido entregues por falta de operadores na
cidade. Ele disse que a prefeitura indicou dois funcionários para realizaram
curso em Guanhães e que em breve as máquinas estarão na cidade.
Orçamento e oposição
Questionado
sobre o fato de Paulistas não acompanhar a mesma evolução de outros municípios
da região, o prefeito culpou a pouca arrecadação. Segundo ele, a verba do Fundo
de Participação dos Municípios (FPM) é menos de R$ 600 mil/mês e o município tem
uma folha de pagamento de R$ 342 mil. Por isso, segundo o prefeito, ele teve de
solicitar recurso suplementar e/ou fazer remanejamento no orçamento para quitar
salários de funcionários públicos e emplacar projeto de asfaltamento das
principais ruas. Os recursos para o projeto de asfaltamento, segundo o
prefeito, viria de um empréstimo com o Banco de Desenvolvimento de Mina Gerais
(BDMG), no valor de R$ 812 mil, que seriam pagos em 20 anos (2% ao ano). Nos
dois casos, o prefeito lamentou a resistência da oposição que, em sua opinião,
não pensa no bem da cidade.
Barroso
acusou ainda o não pagamento dos impostos municipais, como IPTU e ISS, por
parte dos grandes comércios e propriedades rurais do município que, segundo
ele, ajudaria nas contas do município. “Tem gente que não paga nada há anos, e
não temos como brigar na justiça por isso”, informou.
Segundo o Portal
da Transparência do Governo Federal, em 2012, o FPM de Paulistas foi de R$ 4,9
milhões e, em 2013, de R$ 3,9 milhões no ano.
Governo Federal
Barroso
falou bem dos programas federais que têm ajudado o município. Entretanto,
reclamou que em muitos casos os subsídios são poucos, como no caso do Programa
de Saúde da Família (PSF). “Os R$ 10 mil enviados pela União não suficientes para
manter o programa porque só o médico não aceita ganhar menos que isso”, disse.
Disse ainda que a administração da presidenta Dilma é mais rigorosa na
fiscalização do que na época do Lula, quando os municípios, segundo ele, recebiam
muito mais verbas. “A Dilma exige mais dos municípios e muitos não conseguem prestar
contas dos projetos”, disse.
Política e reeleição
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| Política por vaidade |
Ao final da
entrevista, questionado sobre se valia a pena ser prefeito, Barroso foi
taxativo: “Não”. Disse ainda que entrou na política por “pura vaidade”. Com
relação à reeleição, ele confidenciou ter concorrido por dois motivos: sabia
que o seu principal adversário, Dico (DEM), estava fora do páreo porque sua
candidatura seria impugnada (como de fato ocorreu), e porque precisava reaver o
que havia perdido na política ao passar a usar melhor o salário do Executivo
municipal.




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